É normal não gostar dos franceses. Se os alemães gostassem não tinham invadido a França vezes. Já os ingleses apenas são seus aliados por motivos de força maior.
Ainda para mais, têm a sorte de ter um Chefe de Estado que ainda os faz parecer piores do que realmente são. Em poucos dias Sarkozy prestou um mau serviço à França e à União Europeia por duas vezes.
Há uma semana atrás, em declarações públicas em Lyon, acusava os seus parceiros do Sul de não terem tido a coragem de tomar as decisões difíceis em tempo útil. Por essa hora, a França já tinha perdido o seu triplo A, distanciando-se da Alemanha em termos de credibilidade ante os mercados. Quando deveria estar envergonhado com essa posição embaraçosa, Sarko teve o descaramento de tentar dar lições de moral a parceiros europeus, falando como se estes fossem inferiores ao seu país.
Há dois dias foi aprovada pelo Senado a sua afamada lei, que prevê sanções para quem negar a existência de um genocídio arménio às mãos do Império Otomano há um séulo atrás. Mais uma gaffe diplomática, como o próprio MNE francês reconheceu. Não faz qualquer sentido esta hostilidade gratuita para com um país que é tido como o mais moderado do mundo árabe e como um parceiro económico fundamental para toda a UE. O embaixador turco abandonou Paris.
Curiosamente, em relação à Alemanha, onde um líder eleito democraticamente foi responsável pelo maior genocídio da História, Sarkozy não adopta um posição de superioridade moral ou mesmo de parceria mas de subserviência. Depois da polémica do véu islâmico, dá a sensação que o Presidente francês, filho de pai hungáro e mãe israelo-grega, ainda alguns complexos de inferioridade no que toca à sua nacionalidade, tal é a maneira como se esforça para ser o mais francês dos franceses.
Felizmente para Portugal e para a Europa, também são estes golpes mediáticos a par dos sucessivos escandâlos pessoais que levam o próprio a admitir que pode não vir a renovar o mandato.
Que pena… Adieu Sarko! Vive la France! Vive la Repúblique!