Cavaco comprou a X e vendeu a Y e… e… e depois?! É o único entre a classe, não? Há vários exemplos que mostram que neste país ser desonesto não chega para ser derrotado nas urnas.
Por isso, no final do dia Cavaco será Presidente na mesma. Muito provavelmente, reeleito à primeira volta. Ganhará porque todos os que o escolheram 3 vezes para Primeiro Ministro não terão dúvidas em elegê-lo de novo. Com toda a campanha centrada na luta contra a pobreza (que, diga-se de passagem, não ‘nasceu’ agora), Cavaco tem-se mostrado como o Homem do Povo, com uma missão: a de ir para Belém e proteger os pobres, os fracos e os oprimidos contra o czar Sócrates, o temível líder do Império do Mal. E sabem que mais? Resulta! Resultou até aqui e vai resultar de novo. Afinal, se ele é o pai do Monstro, é ele quem colhe os frutos.
Manuel Alegre não é suficientemente forte ou popular para enfrentar o Cavaquistão inteiro. Nunca terá o peso político do actual Presidente e, por isso, nunca o conseguirá derrotar (não é certo mas acredito a 99%). No PS, só arriscaria dois nomes capazes de o derrotar. E Sampaio e Guterres estão noutra.
De resto, nota positiva para o camarada Francisco Lopes, operário electricista, lutador pela causa do proletariado. Tem dois problemas: 1. tanto carisma como uma batata; 2. é comunista. Mas como até parece ser um gajo porreiro talvez consiga um resultado interessante. Merece-o até porque daria um melhor sucessor do Jerónimo que o insuportável Bernardino Soares.
E o Presidente da República? Por mais que digam o contrário, ‘presidirá’ sempre condicionado pelas decisões parlamentares. Os seus poderes são as tais ‘armas nucleares’: saem demasiado caro e só servem para assustar. Continuará a ser um posto praticamente inútil, sem qualquer relevância face os outros poderes.
(Já agora, uma ideia: porque não tornar o PR o responsável pelo poder judicial? Matavam-se dois coelhos com uma cajadada: o cargo crescia em poder e prestígio e os magistrados eram ‘açaimados’ de vez, de forma a acalmarem a sua sede de poder…)